12 de setembro de 2018

Caio Fernando Abreu - (Caio Fernando Loureiro de Abreu ~~ Santiago do Boqueirão/RS, 12 de setembro de 1948 ~~ Porto Alegre/RS, 25 de fevereiro de 1996)

* “Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando. A chave gira na porta. Preciso me apoiar contra a parede para não cair.”
- Caio Fernando Abreu, fragmento do conto “Os Sobreviventes". em: Morangos Mofados. (Saraiva de Bolso). Edição especial, Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2013. p. 29.

* "[...] sem conseguir juntar os sons em palavras, como uma língua estrangeira, como uma língua molhada, nervosa entrando rápida pelo mais secreto de mim para acordar alguma coisa que não devia acordar nunca, que não devia abrir os olhos nem sentir cheiros nem gostos nem tatos, uma coisa que devia permanecer para sempre surda cega muda naquele mais dentro de mim, como os reflexos escondidos, que nenhum ofuscamento se fizesse outra vez, porque devia ficar enjaulada amordaçada ali no fundo pantanoso de mim, feito bicho numa jaula fedida, entre grades e ferrugens, quieta, domada, fera esquecida da própria ferocidade, para sempre e sempre assim."
- Caio Fernando Abreu, fragmento do conto "Sargento Garcia". In: Morangos Mofados. (Saraiva de Bolso). Edição especial, Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2013. p. 93 e 94.

* "Provisoriamente, guardei minha alegria. Mas sou bonito assim: quase nascendo. Quem canta, custa a morrer, e eu não sabia."
- Caio Fernando Abreu, fragmento de "Uma Canção provisória". em "Poesias nunca publicadas de Caio Fernando Abreu". [Organização Letícia da Costa Chaplin, Márcia Ivana de Lima e Silva]. Rio de Janeiro: Editora Record, 2012.

* "Parece exagero, mas eu comecei a escrever ficção com 6 anos de idade, assim que aprendi a ler e escrever. As coisas foram indo devagar. Eu nasci no interior e minha avó, que era professora de português no colégio estadual, me estimulava muito. Minha mãe era professora de história, tinha muito livro em casa, e eu comecei a escrever de uma forma um pouco inconsistente, intuitiva mesmo. Logo comecei a inventar as minhas historinhas: minha primeira heroína foi Lili Terremoto, uma menina da pá virada. Não parei mais. Eu não sabia muito bem o que estava fazendo. Acho que não me passava pela cabeça que livros fossem escritos por escritores. Não sabia que queria ser escritor. Depois, eu comecei a ir por esse caminho, li muito Monteiro Lobato, li As mil e uma noites, e atacava a biblioteca do meu pai às escondidas: as coisas que ele me proibia de ler eram justamente as que eu lia."
- Caio Fernando Abreu, do "seu diário", publicado em “Para sempre teu, Caio F.: cartas, memórias, conversas de Caio Fernando Abreu”, de Paula Dip. 2ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2009.

* “A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso”
- Caio Fernando Abreu, em "Ovelhas Negras", Porto Alegre: Sulina, 1995.

* "Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro."
- Caio Fernando Abreu, fragmento de “Lixo e Purpurina”, em: Ovelhas Negras, Porto Alegre: Sulina, 1995.

*"− São tudo histórias, menino. A história que está sendo contada, cada um a transforma em outra, na história que quiser. Escolha, entre todas elas, aquela que seu coração mais gostar, e persiga-a até o fim do mundo. Mesmo que ninguém compreenda, como se fosse um combate. Um bom combate, o melhor de todos, o único que vale a pena. O resto é engano, meu filho, é perdição."
- Caio Fernando Abreu, em "Onde andará Dulce Veiga?", Porto Alegre: Editora Agir, 1990.

* "Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada."
- Caio Fernando Abreu, em “Os Dragões não conhecem o paraíso”, São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

* "Descobre, desvenda. Há sempre mais por trás. Que não te baste nunca uma aparência do real."
- Caio Fernando Abreu, fragmento de "Dodecaedro Sétimo fragmento da décima terceira voz", em: Triângulo das águas, 1983.

* “[...] Creio que movido pela esperança de que a luz e o calor pudessem amenizar a dor e secar as feridas, aproximei-me lentamente do fogo. Estendi as mãos e, quando olhei em volta, havia mais doze pares de mãos estendidas ao lado das minhas. Os doze pares de mãos estavam cheios de feridas úmidas e violáceas. Todos viram ao mesmo tempo, mas ninguém gritou. Eu gostaria de ter conseguido olhá-los no fundo dos olhos, de ter visto neles qualquer coisa como compaixão, paciência, tolerância, ou mesmo amizade, quem sabe amor. Não tenho certeza de ter conseguido.”
- Caio Fernando Abreu, em “Pedras de Calcutá”. São Paulo: Alfa-Ômega, 1977, p. 21.

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Caio sobre o período da Ditadura no Brasil:

"Aconteceram coisas bastante duras nos últimos tempos [...], mas a conclusão, amarga, é que não há lugar para gente como nós aqui neste país, pelo menos enquanto se vive dentro de uma grande cidade. As agressões e repressões nas ruas são cada vez mais violentas, coisas que a gente lê um dia no jornal e no dia seguinte sente na própria pele. A gente vai ficando acuado, medroso, paranóico: eu não quero ficar assim, eu não vou ficar assim. Por isso mesmo estou indo embora. [...] Acho que o mundo está aí pra ser visto e curtido, antes que acabe. Vou de consciência tranquila, sabendo que dentro de todo o bode fiz o que era possível fazer por aqui. E não sei quando volto. Nem se volto."
- Caio Fernando Abreu, "carta" in: "Caio Fernando Abreu: cartas" (org.), Italo Moriconi. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002, p. 437. (Cansado desta realidade, Caio se exilou por um ano na Europa).

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Caio Fernando Loureiro de Abreu (Santiago do Boqueirão/RS, 12 de setembro de 1948 - Porto Alegre/RS, 25 de fevereiro de 1996). Foi escritor e jornalista, além de manter fortes vínculos com o teatro. Iniciou-se na literatura com o conto “O príncipe sapo” (Cláudia, 1966) e o romance Limite branco (1970). O gênero privilegiado pelo autor foi o conto, tendo publicado os livros: Inventário do irremediável (1970 – Prêmio Fernando Chinaglia, 1969); O ovo apunhalado (1975 – Prêmio Nacional de Ficção, 1973) com trechos censurados sob a alegação de atentado aos bons costumes; Pedras de Calcutá (1977);Morangos mofados (1982), um dos seus maiores sucessos de críticas e de vendas; Triângulo das águas (1983 – Prêmio Jabuti, 1985) conjunto de três narrativas longas, que não alcançou o êxito do anterior.

Com Os dragões não conhecem o paraíso (1988), volta a ganhar destaque, mantido com o seu segundo romance, Onde andará Dulce Veiga? (Prêmio APCA Melhor Romance do Ano, 1991, e um dos seis finalistas do Prêmio Laura Battaglion, melhor romance traduzido na França, 1994). Lançou ainda os contos de Ovelhas negras, (Prêmio Jabuti, 1996) e, postumamente, foram lançados Estranhos estrangeiros e a coletânea de crônicas Pequenas epifanias (1996). Publicou ainda As frangas (1989), para o público infantil, e participou de diversas antologias.

Destacou-se também na atividade teatral: atuou, escreveu e teve adaptados diversos textos para o palco. Recebeu o prêmio Leitura do Serviço Nacional de Teatro (1974) pela peça Uma visita ao fim do mundo (redenominada Pode ser que seja só o leiteiro lá fora) e o Prêmio Molière (1989) pela peça A maldição do Vale Negro, escrita com Luiz Arthur Nunes. O livro Teatro completo (1997) reúne sua produção teatral.

A carreira literária mesclou-se sempre com a atividade jornalística, sua principal fonte de subsistência: trabalhou na primeira equipe da revista Veja (1968), nas revistas Manchete e Pais e Filhos (1971) e Isto É (1983). Em Porto Alegre, atuou nos jornais Zero Hora (1972; 1994 – 1995) e Folha da Manhã (1974; 1976). Entre 1977 e 1980, em São Paulo, trabalhou nas revistas Pop, Nova e Veja. Foi editor das revistas literárias Leia Livros (1981) e A-Z (1985) e redator do Caderno 2 de O Estado de São Paulo (1986 – 1988 e 1993 – 1995).

As primeiras manifestações da crítica sobre sua obra apontavam-no como representante de uma determinada geração ou segmento social, evidenciando relações sociológicas entre a obra e vivência de um grupo cuja visão de mundo revela-se diferente dos padrões comportamentais hegemônicos da sociedade tradicional. À medida que sua produção se desenvolveu, a identificação não se fez mais com a geração dos anos 60-70, mas sim é designado porta-voz daqueles que se sentiam sufocados em uma sociedade massificadora e alienante, independente de uma filosofia de grupo: era o escritor que falava da falência dos sonhos, mas principalmente da inadequação e do vazio das pessoas no cenário das grandes cidades. Na obra, apesar dos aspectos negativos do dia-a-dia, é nítido o tema da constante busca por algo capaz de dar sentido à vida, pela possibilidade de se descobrir uma forma de realização pessoal que supere o esmagamento dos sonhos. Assim, Caio lida com temas universais e permanentes, inerentes aos questionamentos mais profundos do ser humano, e transcendentes às circunstâncias sócio-históricas que por ventura tenham estimulado a produção.
Fonte: PIVA, Mairim Linck. ‘Verbete biográfico’. in: Pequeno Dicionário da Literatura do Rio Grande do Sul. (organização Luiz Antonio de Assis Brasil; Maria Eunice Moreira; e Regina Zilberman). Porto Alegre: Novo Século, 1999.

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Cronologia

1948 - Caio Fernando Loureiro de Abreu nasce no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago do Boqueirão (RS), cidade fronteiriça com a Argentina.
1954 - Com seis anos de idade, Caio F. escreve seus primeiros textos.
1963 - Caio F. se muda para Porto Alegre para cursar o colegial.
1966 - Seu primeiro conto, "O Príncipe Sapo" é publicado na revista Cláudia. Inicia a escritura do primeiro romance Limite Branco.
1967 - Começa o curso de Letras e Arte Dramática na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), não conclui nenhum dos cursos. Dedica-se ao jornalismo.
1968 - Após seleção em um concurso nacional, muda-se para São Paulo para integrar a primeira redação da revista Veja. Recebe menção honrosa do Prêmio José Lins do Rego para o conto Três tempos mortos.
1969 - Recebe o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de escritores (UNEB) para a coletânea de contos Inventário do irremediável. Participa da antologia de autores gaúchos Roda de fogo.
1970 - Publica pela editora Movimento o livro Inventário do irremediável.
1971 - Caio F. se muda para o Rio de Janeiro para ser pesquisador e redator das revistas Manchete e Pais e Filhos, do grupo Bloch Editores. Ele retorna para Porto Alegre onde é preso por porte de drogas.
1972 - É redator do jornal Zero Hora e colaborador do Suplemento Literário de Minas Gerais. Recebe o prêmio do Instituto Estadual do Livro para o conto Visita que será publicado posteriormente na coletânea O ovo apunhalado.
1973 - Viaja para a Europa onde se sustenta exercendo vários tipos de trabalho como modelo, faxineiro ou lavador de pratos. O livro O ovo apunhalado receba menção honrosa do Prêmio Nacional de Ficção.
1974 - De volta ao Brasil, ele trabalha em Porto Alegre com o grupo teatral Província como ator na peça Sarau das Nove às Onze. Escreve para o teatro. Colabora com diversos veículos de imprensa, inclusive com a imprensa alternativa para Opinião, Movimento, Ficção, Inéditos, Versus, Paralelo, Escrita.
1975 - O livro O ovo apunhalado sofre vários cortes da censura e é reconhecido pela Veja como um dos melhores livros do ano. Sua peça Pode ser que seja só o leiteiro lá fora, primeiramente intitulada Uma visita ao fim do mundo, recebe o Prêmio Leitura do SNT.
1976 - Trabalha como crítico teatral na Folha da Manhã. Participa das antologias Assim escrevem os Gaúchos e Teia.
1977 - Publicação de Pedras de Calcutá e participação na antologia História de um Novo Tempo.
1978 - Muda-se para São Paulo onde trabalha como redator da revista Pop. Participa da Antologia de Literatura Rio-Grandense Contemporânea.
1980 - Recebe o Prêmio Status de Literatura para o conto Sargento Garcia.
1981 - Torna-se editor da Leia Livros.
1982 - Lançamento de Morangos Mofados pela editora Brasiliense.
1983 - Muda-se para Rio de Janeiro para colaborar com a revista Isto é. Publica Triangulo das águas.
1984 - Primeira encenação, com direção de Luciano Alabarse, da peça Pode ser que seja só o leiteiro lá fora, em Porto Alegre, no Clube da Cultura. O livro Triângulo das águas ganha o prêmio Jabuti.
1985 - Volta para São Paulo onde trabalha como editor da revista A-Z. Escreve um roteiro para a série de TV Joana Repórter estreada por Regina Duarte. Morangos mofados é adaptado para o teatro e encenado por Paulo Yutaka.
1986 - Trabalha como redator no Caderno 2 do Estado de São Paulo. Em Porto Alegre a adaptação teatral de Morangos mofados é encenada por Luciano Alabarse.
1987 - Escreve a peça teatral A maldição do Vale Negro em colaboração com Luiz Artur Nunes. Escreve o roteiro da longa metragem de Sérgio Bianchi intitulado Romance.
1988 - Publica Os dragões não conhecem o paraíso. Trabalha novamente como redator para a revista A-Z. Lançamento de Mel & girassóis pela editora Mercado Aberto.
1989 - Recebe o Prêmio Molière junto com Luiz Artur Nunes pela autoria do melodrama A maldição do Vale Negro. Publicação do primeiro livro infantil As frangas pela Editora Globo.
1990 - Publicação do romance Onde andará Dulce Veiga? pela Companhia das Letras.
Em Londres, tradução para o inglês do livro Os dragões não conhecem o paraíso sob o título de Dragons..., é publicada pela editora Boulevard Books e traduzido por David Treece.
1991 - Em Paris é traduzido sob o titulo: Les dragons ne connaissent pas le paradis, pelas edições Complexe e é traduzido por Claire Cayron. Onde Andará Dulce Veiga? recebe o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor romance do ano.
1992 - Mora três meses na França, em Saint-Nazaire, como escritor/residente na Maison des Écrivains et des traducteurs Étrangers (MEET), onde ele escreve a novela Bien loin de Marienbad.
1993 - Realiza leituras de sua obra, em Amsterdam, Utrecht e Haia e na Holanda. Participa, em Berlim, do Congresso Internacional de Literatura e Homossexualismo. Em Milão, lança, em italiano, de Dov’è Finita Dulce Veiga?, pela editora Zanzibar, traduzido por Adelina Aletti. Representa o Brasil na III Interlit, Encontro Internacional de Escritores, em Erlangen, na Alemanha, junto dos escritores Rubem Fonseca e Sonia Coutinho. Leituras de sua obra em Erlangen, Nüremberg e Berlim. Escreve crônicas dominicais no jornal o Estado de São Paulo.
1994 - Reedição pela editora paulista Siciliano do seu primeiro romance Limite Branco. São lançados no Salão do Livro de Paris: Qu’est devenue Dulce Veiga?, publicado pelas edições Autrement; Bien loin de Marienbad, publicado pelas edições Arcane 17 e L’Autre voix, publicado pelas edições Complexe. Todos são traduzidos por Claire Cayron.
O autor retorna da França e anuncia, explicitamente, na crônica publicada no jornal O Estado de S. Paulo “Última carta para além dos muros”: “Voltei da Europa em junho me sentindo doente. Febres, suores, perda de peso, manchas na pele. Procurei um médico e, à revelia dele, fiz O Teste. Aquele. Depois de uma semana de espera agoniada, o resultado: HIV Positivo.” (ABREU, 2006, p. 212).
Leitura dramática de seu monólogo teatral O homem e a Mancha, no primeiro Porto Alegre em Cena.
O autor volta a morar com os pais e a partir de outubro torna-se colaborador do caderno Cultura do jornal Zero Hora. Em Amsterdam lança de Waar zit Dulce Veiga?, traduzido por Maartje de Kort. Participa da 46° Feira Internacional do Livro de Frankfurt que tem o Brasil como pais-tema. Lança na Alemanha de Waas Geschach Wirklich mit Dulce Veiga?, traduzido por Gerd Hilger.
Caio F. Abreu - Foto: (...)1995 - É escolhido pela Câmara Rio-Grandense do Livro para ser patrono da 41° Feira do Livro de Porto Alegre. Participa da antologia The Penquim Book of International Gay Writing com o conto Beauty (Linda, uma história horrível), traduzido por David Treece. Em maio, é publicada pela editora Sulina a antologia de textos Ovelhas Negras. Em setembro, na Itália, as edições Zanzibar publicam Molto Lontano di Marienbad, com tradução de Bruno Parsico. Reedição do seu primeiro livro de contos completamente reformulado, sob o título Inventario do irremediável.
1996 - Em 25 de fevereiro, Caio Fernando Abreu falece em Porto Alegre, aos 47 anos. Ovelhas Negras recebe o Prêmio Jabuti de melhor livro de contos do ano.

Fonte: Delfos - Espaço de Documentação e Memória Cultural/PUC-RS - Acervo Caio Fernando Abreu