17 de maio de 2018

Caio Fernando Abreu - Fragmentos, em “Os Dragões não conhecem o paraíso”, 1988. "Ovelhas Negras", 1995. "Poesias nunca publicadas de Caio Fernando Abreu", 2012.

"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada."

“A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso.”

"Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro."

"Provisoriamente, guardei minha alegria. Mas sou bonito assim: quase nascendo. Quem canta, custa a morrer, e eu não sabia."

"Descobre, desvenda. Há sempre mais por trás. Que não te baste nunca uma aparência do real."

&&&

Caio foi um escritor capaz de não apenas conciliar influências do mundo pop e literário em seus textos, mas também foi um dos poucos que conseguiu suscitar admiração nestes dois universos.