1 de julho de 2018

Antipoema para olvido ~ por Lou Vilela

Divina Comédia - Inferno - Canto XVIII, Gustave Doré III


Chega o dia em que se percebe que não há pausas.

- Como tratar as feridas?

O mundo é um rolo compressor.

- É preciso agilidade para não ser esmagado.


E tudo tem um preço.


Os medos crescem:

lida-se com a violência, com a intolerância, com o desamor;

o sumo da bestialidade, a fera de cada um.


Os bolsos vão-se esvaziando.

Sim, há um preço [e um risco].


Com_tudo há também o arco, a flecha [o impulso]

e quintanares de possibilidades

além do excremento humano.

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