18 de setembro de 2017

SOLITUDE - Cláudia Barros


Às vezes ela cansava. Ficava exausta de fazer parte. Gostava, quase sempre mais, quando estava só. Tinha uns momentos de solidão estelar, aquela solidão do não pertencer, do não compreender, em que tudo ficava no lugar.

Gostava do mundo físico. Gostava das paisagens, intimistas ou imensidões... Gostava das cores ora suaves, vezes vibrantes, ternas, agitadas. Gostava em especial dos aromas. Gostava deles por serem assim voláteis, estarem aqui por um segundo e depois não serem mais percebidos e ainda assim permanecerem na memória para sempre. Adorava os clichês básicos: sol na pele, chuva no rosto, vento no cabelo, terra nos pés. E o aconchego do fogo.

Amava pessoas. Gostava de observar suas nuances, suas emoções em eterno movimento. Tinha especial apreço pelas histórias que construíam com seus passos. Sentia-se bem entre pessoas, mas cansava-a a humanidade. Esgotava-se em padrões e conceitos. Ficava claustrofóbica e muitas vezes chegava mesmo a ter medo. De ceder. De igualar. De participar.

Gostava de ser assim, à parte. Estrela sem constelação.