3 de março de 2017

Distopia ou Antiutopia

Distopia ou Antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utópica ou promove a vivência em uma “utopia negativa”. São geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo bem como um opressivo controle da sociedade. Nelas, caem-se as cortinas, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. Assim, a tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, de instituições ou mesmo de corporações.

A principal função da distopia é nos deixar desconfortáveis. Os mundos distópicos estão aprofundados na crítica à sociedade atual e aos seus problemas. Podemos ver mundos no futuro, vivendo em Distritos, Facções, em ruínas de cidades, lutando para sobreviver, fugindo de canibais, lutando contra vírus mortais ou contra máquinas com consciência. Mas todos eles apenas pegaram nossos problemas atuais e os extrapolaram ao máximo. Este exagero serve para nos fazer enxergar o óbvio que, justamente, por ser tão óbvio às vezes passa despercebido para nós no agitado dia a dia.

Em maior ou menor grau, toda distopia tem certas características:

* Violência banalizada e/ou generalizada
* Visão e discurso pessimista sobre o mundo
* Poder opressor vindo de uma elite e/ou governo
* Exploram a estupidez e/ou ignorância coletiva

Na era das mídias sociais, o caminho está aberto para distopias tecnológicas como Black Mirror. A ideia jamais perde o apelo: afinal, como o próprio título da série indica, distopias são espelhos negros, versões corrompidas de futuros que batem na nossa porta. Difícil é não se identificar.

Uma distopia, portanto, é, uma história com uma lição. Em geral, envolve a denúncia de regimes ditatoriais, tirânicos e autocráticos. Mas, mais do que isso, é uma janela escancarada para as consequências de qualquer tentativa de moldar e dar direção a algo tão plural quanto a civilização.

Mesmo que pareça um fenômeno recente, temos distopias pululando pela história desde o fim da Primeira Guerra Mundial, quando o mundo encarou de frente os horrores de uma guerra de proporções globais, que acabou com uma era de luzes e esperanças de um mundo perfeito. Admirável Mundo Novo e 1984 vieram nesta esteira e a coisa se intensificou com a Segunda Guerra e com a Guerra Fria. A visão destes mundos extremos e totalitários reflete um desejo do público juvenil e adulto jovem de ler sobre mundos que eles próprios desconhecem, um mundo de ditaduras e da ausência das liberdades individuais.