28 de setembro de 2017

As Rosas Amo dos Jardins de Adônis - Ricardo Reis, in "Odes" (Heterónimo de Fernando Pessoa)

Adônis e Afrodite (desconheço o autor da pintura)

As Rosas amo dos jardins de Adônis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos.

2 comentários:

Branca disse...

Belíssima pintura!
Suas palavras, como sempre, impecáveis!
:)

Elaine Faria disse...

Olá Branca, bom dia!
Bom tê-la aqui no Atemporal! Obrigada pela visita e estimulante comentário!
Quando a pintura, realmente é belíssima, embora eu tenha feito diversas buscas na internet, não obtive êxito sobre a autoria da mesma.
Em relação a impecabilidade das pavavras, não poderia ser diferente, porque tudo que Fernando Pessoa e seus Heterónimos sentiram e passaram para as palavras é impecável.
Grande Abraço! :)