1 de fevereiro de 2017

XXIII - O Meu Olhar Azul Como o Céu - Em "O Guardador de Rebanhos". Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa, 1946.


O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta…

Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer coisa no sol de modo a ele ficar mais belo…
(Mesmo se nascessem flores novas no prado
E se o sol mudasse para mais belo,
Eu sentiria menos flores no prado
E achava mais feio o sol…
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso…)


Fernando Pessoa - Casa / House - Lisboa (Portugal)

FERNANDO PESSOA (1888-1935) - Nasce a 13 de junho de 1888, em Lisboa, no número 4 do Largo de São Carlos, em frente ao Teatro de São Carlos. Foi poeta, filósofo e escritor. Aos cinco anos o pai morre. A mãe casa-se, pela segunda vez, em 1895, e vai viver com o marido para a África do Sul. Fernando Pessoa viaja com a mãe para Durban, onde passa a maior parte da juventude e recebe educação inglesa, e onde viria a demonstrar, desde cedo, talento para a literatura.
É em inglês que ele escreve poesia e prosa desde a adolescência. Das quatro obras que publicou em vida, três são em língua inglesa. É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos e autodenominou-se um “drama em gente”.
A sua última frase foi escrita na cama do hospital, em inglês, com a data de 29 de novembro de 1935: “I know not what tomorrow will bring” (“Não sei o que o amanhã trará”). Fernando Pessoa interessava-se pelo ocultismo e pelo misticismo. Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas para si mesmo. Realizou mais de mil horóscopos. Morre a 30 de novembro de 1935.
Fonte: youtube.com

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