13 de fevereiro de 2017

Leãozinho - Caetano Veloso (Para minha linda filha 💕 Gabriela 💕)

Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho
Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho

♪ ♫ ♩ ♫

Um filhote de leão, raio da manhã
Arrastando o meu olhar, como um imã
O meu coração é o sol, pai de toda cor
Quando ele lhe doura a pele ao léu

♪ ♫ ♩ ♫

Gosto de te ver ao sol, leãozinho
De te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba
Gosto de ficar ao sol, leãozinho
De molhar minha juba
De estar perto de você,
E entrar no mar

♪ ♫ ♩ ♫

Um filhote de leão, raio da manhã
Arrastando o meu olhar, como um imã
O meu coração é o sol, pai de toda cor
Quando ele lhe doura a pele ao léu

♪ ♫ ♩ ♫

Gosto de te ver ao sol, leãozinho
De te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba
Gosto de ficar ao sol, leãozinho
De molhar minha juba
De estar perto de você,
E entrar no mar

♪ ♫ ♩ ♫



♪ ♫ ♩ ♫


8 de fevereiro de 2017

Sawabona Shikoba - Flávio Gikovate - Médico Psicoterapeuta


Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.
O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo.
Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.
Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.
E ela só é possível para aqueles que conseguem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.
As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.
Cada cérebro é único.
Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.
Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável.
Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
&
P.S. - Caso tenha ficado curioso (a) em saber o significado de SAWABONA, é um cumprimento usado no sul da África quer dizer: "EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM".
Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA que é "ENTÃO EU EXISTO PRA VOCÊ".

1 de fevereiro de 2017

XXIII - O Meu Olhar Azul Como o Céu - Em "O Guardador de Rebanhos". Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa, 1946.


O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta…

Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer coisa no sol de modo a ele ficar mais belo…
(Mesmo se nascessem flores novas no prado
E se o sol mudasse para mais belo,
Eu sentiria menos flores no prado
E achava mais feio o sol…
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso…)


Fernando Pessoa - Casa / House - Lisboa (Portugal)

FERNANDO PESSOA (1888-1935) - Nasce a 13 de junho de 1888, em Lisboa, no número 4 do Largo de São Carlos, em frente ao Teatro de São Carlos. Foi poeta, filósofo e escritor. Aos cinco anos o pai morre. A mãe casa-se, pela segunda vez, em 1895, e vai viver com o marido para a África do Sul. Fernando Pessoa viaja com a mãe para Durban, onde passa a maior parte da juventude e recebe educação inglesa, e onde viria a demonstrar, desde cedo, talento para a literatura.
É em inglês que ele escreve poesia e prosa desde a adolescência. Das quatro obras que publicou em vida, três são em língua inglesa. É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos e autodenominou-se um “drama em gente”.
A sua última frase foi escrita na cama do hospital, em inglês, com a data de 29 de novembro de 1935: “I know not what tomorrow will bring” (“Não sei o que o amanhã trará”). Fernando Pessoa interessava-se pelo ocultismo e pelo misticismo. Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas para si mesmo. Realizou mais de mil horóscopos. Morre a 30 de novembro de 1935.
Fonte: youtube.com