19 de outubro de 2016

Noções - Cecília Meireles


Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que
a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se
encontram.

Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e
precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e
inúmera...

2 comentários:

Anônimo disse...

Lindo, Elaine. É redundante admitirmos que não há o que acrescentar. Beijos. T

Elaine Faria disse...

Oi Amigo, boa tarde! Obrigada por apreciar, comentar e enriquecer com sua sensibilidade as postagens do Atemporal! Beijos :)