19 de setembro de 2016

Si Jamais J'oublie - Zaz


Rappelle-moi le jour et l'année
Rappelle-moi le temps qu'il faisait
Et si j'ai oublié
Tu peux me secouer

Et s'il me prend l'envie d'm'en aller
Enferme-moi et jette la clé
Aux piqûres de rappel
Dis comment je m'appelle

Si jamais j'oublie, les nuits que j'ai passées
Les guitares et les cris
Rappelle-moi qui je suis
Pourquoi, je suis en vie
Si jamais j'oublie les jambes à mon cou
Si un jour je fuis
Rappelle- moi qui je suis
Ce que je m'étais promis

Rappelle-moi mes rêves les plus fous
Rappelle-moi ces larmes sur mes joues
Et si j'ai oublié, combien j'aimais chanter

Si jamais j'oublie, les nuits que j'ai passées
Les guitares et les cris
Rappelle-moi qui je suis
Pourquoi je suis en vie
Si jamais j'oublie les jambes à mon cou
Si un jour je fuis
Rappelle-moi qui je suis
Ce que je m'étais promis

Rappelle-moi qui je suis
Si jamais j'oublie les jambes à mon cou
Si un jour je fuis
Rappelle-moi qui je suis
Ce que je m'étais promis
Si jamais j'oublie, les nuits que j'ai passées
Les guitares et les cris
Rappelle-moi qui je suis
Pourquoi, je suis en vie
Rappelle-moi le jour et l'année

15 de setembro de 2016

A Terapia Chamada Compaixão - by OSHO - (Osho, A Sudden Clash of Thunder, Discurso #8)

I am free - art by Nazahnel

*Uma vez ouvi você dizer “Só a compaixão é terapêutica”. Por favor, fale sobre a compaixão

Sim, só a compaixão é terapêutica – porque tudo que é ruim no homem é devido à falta de amor. Tudo que é errado no homem está em algum lugar associado com o amor. Ele não tem sido capaz de amar, ou não tem sido capaz de receber amor. Ele não tem sido capaz de compartilhar seu ser. Essa é a miséria. Isso cria todo tipo de complexos por dentro.

Esses ferimentos íntimos podem vir à tona de muitas maneiras: podem se tornar doenças físicas, podem se tornar doenças mentais – mas profundamente o homem sofre de falta de amor. Assim como a comida é necessária para o corpo, amor é necessário para a alma. O corpo não pode sobreviver sem comida, e a alma não pode sobreviver sem amor. Na verdade, sem amor a alma sequer nasceu – não existe a questão de sua sobrevivência.

Você simplesmente pensa que tem uma alma; você acredita que tem uma alma devido ao seu medo da morte. Porém, você não sabe a não ser que você tenha amado. Só no amor a pessoa vem a sentir que é mais do que o corpo, mais do que a mente.

É por isso que digo que a compaixão é terapêutica. Que é compaixão? Compaixão é a forma mais pura de amor. Sexo é a forma mais baixa do amor, compaixão é a forma mais elevada do amor. No sexo, o contato é basicamente físico; na compaixão o contato é basicamente espiritual. No amor, compaixão e sexo estão misturados, o físico e o espiritual estão misturados. Amor é o meio caminho entre sexo e compaixão.

Você também pode chamar a compaixão de oração. Você também pode chamar a compaixão de meditação. A mais alta forma de energia é compaixão. A palavra compaixão é bela: metade dela é paixão - de algum modo paixão tornou-se tão refinada que não é mais como uma paixão. Ela tornou-se compaixão.

No sexo, você usa o outro, você reduz o outro a um meio, você reduz o outro a uma coisa. Eis porque num relacionamento sexual você se sente culpado. Essa culpa não tem nada a ver com ensinamentos religiosos; essa culpa é mais profunda do que os ensinamentos religiosos. Num relacionamento sexual como tal você se sente culpado. Sente-se culpado porque você está reduzindo um ser humano a uma coisa, a um produto a ser usado e jogado fora.

É por isso que no sexo você também sente uma espécie de servidão; você também está sendo reduzido a uma coisa. E quando você é uma coisa sua liberdade desaparece porque sua liberdade só existe quando você é uma pessoa. Quanto mais você for uma pessoa, mais livre você é, quanto mais uma coisa você for, menos livre você é. A mobília do seu quarto não é livre. Se você deixar o quarto trancado e voltar após muitos anos, a mobília estará no mesmo lugar, da mesma maneira; ela não irá se arrumar de uma nova maneira. Ela não tem nenhuma liberdade. Contudo se você deixar um homem no quarto, você não irá encontrá-lo do mesmo jeito – nem mesmo no outro dia, nem mesmo no próximo momento. Você não pode encontrar o mesmo homem novamente.

O velho Heráclito diz: Você não pode pisar no mesmo rio duas vezes. Você não pode encontrar o mesmo homem novamente. É impossível encontrar o mesmo homem duas vezes, porque o homem é um rio, continuamente fluindo. Você nunca sabe o que vai acontecer. O futuro permanece aberto. Para uma coisa, o futuro está fechado. Uma pedra permanecerá uma pedra. Ela não possui nenhuma potencialidade para crescer. Ela não pode mudar, não pode evoluir. Um homem nunca permanece o mesmo. Ele pode recuar, pode ir adiante, pode ir para o inferno ou para o céu, ele, porém, nunca permanece o mesmo. Continua se movendo, desse ou daquele jeito.

Quando você tem um relacionamento sexual com alguém, você reduziu essa pessoa a uma coisa. E reduzindo-a você reduziu a si mesmo também a uma coisa, porque é um compromisso mútuo que “Eu lhe permito me reduzir a uma coisa, você me permite lhe reduzir a uma coisa. Eu lhe permito usar-me, você me permite usá-lo. Usamos um ao outro. Nos tornamos coisas”.

Eis porque… observe dois amantes: quando eles ainda não estão consolidados. O romance ainda está vivo, a lua de mel ainda não acabou e você vai ver duas pessoas pulsando com vida, prontas para explodir – prontas para explodir no desconhecido. E então observe um casal, o marido e a esposa, e você verá duas coisas mortas, dois túmulos, lado a lado – ajudando um ao outro permanecer morto, forçando um ao outro permanecer morto. Esse é o constante conflito do casamento. Ninguém quer ser reduzido a uma coisa!

Sexo é a forma mais baixa dessa energia “X”. Se você for religioso, chame isso de “Deus”, se você for científico, chame-o de “X”. Essa energia, X, pode tornar-se amor. Quando ela se torna amor, então você começa a respeitar a outra pessoa. Sim, às vezes você usa a outra pessoa, mas você se sente grato por isso. Você nunca diz obrigado para uma coisa. Quando você está apaixonado por uma mulher e faz amor com ela, você diz obrigado.

Quando você faz amor com sua esposa, você já disse alguma vez obrigado? Não, você tem isso como certo. Alguma vez sua esposa já lhe disse obrigado? Talvez, muitos anos atrás, você pode se lembrar algum tempo quando você estava indeciso, estava só tentando, cortejando, seduzindo um ao outro – talvez. Mas uma vez consolidado, ela alguma vez já lhe disse obrigado por alguma coisa? Você já fez tantas coisas por ela, ela já fez tantas coisas por você, ambos estão vivendo um para o outro, a gratidão porém, desapareceu.

No amor, existe gratidão, existe uma profunda gratidão. Você sabe que o outro não é uma coisa. Você sabe que o outro possui uma grandeza, uma personalidade, uma alma, uma individualidade. No amor você concede liberdade total ao outro. É claro, você dá e recebe: é um relacionamento de dar e receber... mas com respeito.

No sexo, é um relacionamento de dar e receber sem nenhum respeito. Na compaixão, você simplesmente dá. Não há nenhuma idéia na sua cabeça em receber alguma coisa de volta; você simplesmente compartilha. Não que coisa alguma venha! Isso retorna um milhão de vezes, mas isso é só dessa maneira, só uma conseqüência natural. Não há nenhum anseio por isso.

No amor, se você der alguma coisa, bem lá no fundo você continua esperando que isso deve retornar. Se isso não retornar, você fica reclamando. Você pode não dizer isso, mas de mil e uma maneiras pode se deduzir que você está resmungando, que você está sentindo que foi enganado. Amor parece ser uma barganha sutil.

Na compaixão você simplesmente dá. No amor, você fica agradecido porque o outro lhe deu algo. Na compaixão, você fica agradecido porque o outro levou algo de você; você está agradecido porque o outro não lhe rejeitou. Você veio com energia para dar, você tinha vindo com muitas flores para partilhar, e o outro lhe permitiu, o outro foi receptivo. Você é grato porque o outro foi receptivo.

Compaixão é a forma mais elevada do amor. Muito retorna – um milhão de vezes mais, digo – mas isso não é o mais importante, você não anseia por isso. Se isso não vier não há nenhuma queixa quanto a isso. Se vier você fica simplesmente surpreso! Se isso vier, é inacreditável. Se não vier não há problemas – você nunca deu seu coração a alguém por alguma barganha. Você simplesmente derrama porque você tem. Você tem tanto que se você não derramar você ficará sobrecarregado. Assim como uma nuvem carregada de água de chuva precisa derramar. E da próxima vez quando uma nuvem estiver chovendo observe em silêncio, e você irá sempre ouvir, quando a nuvem derramou a chuva e a terra a absorveu, você irá sempre ouvir a nuvem dizer para a terra “Obrigado”. A terra ajudou a descarregar a nuvem.

Quando uma flor brota, ela precisa compartilhar sua fragrância com os ventos. É natural! Isso não é uma barganha, não é um negócio; é simplesmente natural! A flor está repleta de fragrância – que fazer? Se a flor mantiver a fragrância para si mesma então a flor se sentirá muito tensa, numa profunda angústia. A maior angústia na vida é quando você não pode expressar, quando você não pode comunicar, quando você não pode compartilhar. O homem mais pobre é aquele que não tem nada para partilhar, ou tem alguma coisa para partilhar, mas perdeu a capacidade, a arte, de como compartilhá-la; assim um homem é pobre.

O homem sexual é muito pobre. O homem amoroso é comparativamente mais rico. O homem compassivo é o mais rico; ele está no topo do mundo. Ele não tem nenhum confinamento, nenhuma limitação. Ele simplesmente dá e prossegue em seu caminho. Ele nem mesmo espera que você diga um obrigado. Com tremendo amor ele compartilha sua energia. Isso é que chamo de terapêutico.

Buddha costumava dizer aos seus discípulos, “Após cada meditação, sejam compassivos – imediatamente – porque quando você medita, o amor cresce, o coração fica repleto. Após cada meditação, sinta compaixão pelo mundo inteiro para que você compartilhe seu amor e você libera a energia na atmosfera e essa energia pode ser usada pelos outros”.

Eu também gostaria de dizer isso a vocês: Após cada meditação, quando vocês estiverem celebrando, tenham compaixão. Apenas sinta que sua energia deve ir e ajudar as pessoas de qualquer maneira que elas necessitem. Apenas libere-a! Você ficará descarregado, você irá se sentir bem relaxado, irá se sentir muito calmo e quieto, e as vibrações que você liberou ajudarão a muitos. Termine suas meditações sempre com compaixão.

E a compaixão é incondicional. Você não pode ter compaixão só por aqueles que são amigáveis com você, só por aqueles que estão relacionados a você. Compaixão inclui tudo... intrinsecamente tudo. Assim se você não pode sentir compaixão pelo seu vizinho, então esqueça tudo sobre meditação, porque isso não tem nada a ver com alguém em particular. Tem algo a ver com seu estado interior. Seja a compaixão! Incondicionalmente, não direcionada, não endereçada. Assim você se torna uma força curativa nesse mundo miserável.
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Leia mais OSHO: http://www.osho.com/pt/read/featured-articles/other-myself/the-therapy-called-compassion

4 de setembro de 2016

Fernando Pessoa poemas - A Criança que Fui Chora na Estrada, A Criança que Fui Chora na Estrada II e A Criança que Fui Chora na Estrada III (Novas Poesias Inéditas. Fernando Pessoa. (Direção, recolha e notas de Maria do Rosário Marques Sabino e Adelaide Maria Monteiro Sereno) Lisboa: Ática, 1973 (4ª ed. 1993)


A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;

Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

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A Criança que Fui Chora na Estrada II

Dia a dia mudamos para quem
Amanhã não veremos.
Hora a hora
Nosso diverso e sucessivo alguém
Desce uma vasta escadaria agora.

E uma multidão que desce, sem
Que um saiba de outros.
Vejo-os meus e fora.
Ah, que horrorosa semelhança têm!
São um múltiplo mesmo que se ignora.

Olho-os. Nenhum sou eu, a todos sendo.
E a multidão engrossa, alheia a ver-me,
Sem que eu perceba de onde vai crescendo.

Sinto-os a todos dentro em mim mover-me,
E, inúmero, prolixo, vou descendo
Até passar por todos e perder-me.

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A Criança que Fui Chora na Estrada III

Meu Deus! Meu Deus!
Quem sou, que desconheço
O que sinto que sou?
Quem quero ser
Mora, distante, onde meu ser esqueço,
Parte, remoto, para me não ter.
Fernando Pessoa

1 de setembro de 2016

Soneto XLIV de Pablo Neruda, in Cien sonetos de amor


Sabrás que no te amo y que te amo
puesto que de dos modos es la vida,
la palabra es un ala del silencio,
el fuego tiene una mitad de frío.

Yo te amo para comenzar a amarte,
para recomenzar el infinito
y para no dejar de amarte nunca:
por eso no te amo todavía.

Te amo y no te amo como si tuviera
en mis manos las llaves de la dicha
y un incierto destino desdichado.

Mi amor tiene dos vidas para armarte.
Por eso te amo cuando no te amo
y por eso te amo cuando te amo.

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Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)