4 de novembro de 2014

Carta ao Tempo por Lufague


Amigo tempo desculpe-me a franqueza, mas prefiro-te como amigo, mesmo sabendo que és meu legitimo algoz. Sempre quero monologar contigo, uma conversa franca de amiga para amigo, mas parece-me impossível, não consigo te acompanhar, és muito rápido, não paras nunca, isso às vezes me deixa com a sensação de impotência, porque reconheço tua essência como infinito movimento, já até pensei em desistir, te deixar seguir adiante, mas como fazê-lo se tu és a minha maior relevância na vida?.. E a vida é tua fiel companheira.

Eu admiro muito teu poderio, tua capacidade de controle especifica para cada coisa, tu se estabeleces em tudo, é tão rigoroso, tão implacável, inexorável em tua pessoal organização, quando te fragmentas em instantes certos, como o tempo de ser criança, ser adulto, ser velho, ser fim, e a vida sempre a te obedecer, sempre.

Qual o teu mistério, teu fascínio, quando me penetras tão intensamente que te sinto pulsar em cada poro que se abre ao crescimento de meus pelos, em cada sensação viva de minh’alma. te mostras mestre, deus absoluto quando me deixas forte, vibrante para logo em seguida me mostrar minha fragilidade desalentada, gritante.

Enfim és para mim, um verdadeiro processo, sempre a se reinventar, reiniciar,.. E assim a vida vai te seguindo, porque precisa te acompanhar... E nada vai além do que tu estabeleces como limite, tu te revelas em fases, etapas, com inicio, meio e fim, com isso eu sofro em saber de minha carência, sou fisicamente, emocionalmente dependente e condenada a ti, porque reconheço que és o grande fator de vida e evolução.

Teu estado é sempre crescente, de crescimento, vais sempre do menor para o maior, do novo para o velho, pensando assim chega a ser reconfortante, porque não corro o risco de quando velha voltar a remoçar e recomeçar todo esse doce tormento.

Fico aqui a imaginar teu grande fascínio, tua sedução, basta ver todos os sentimentos vivem pra te obedecer, portanto não vou me esconder de ti, nem fugir, nem tentar te esquecer, mas, ainda posso pensar, posso refletir.

Até logo mais amigo tempo, te encontro no espelho na próxima ruga e marca em mim, de tua expressão!

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