6 de julho de 2014

Dilúvio por Priscila Rôde

sei que andas,
porque andas
e por quem andas
e sei o muito de mim
que abandonas a cada trama
que costuras com sangue
e peito

tu és o obscuro
mistério dessa matéria
de desejo remoto,
canção a derramar melodias
em meus múltiplos filamentos

se te ausentas,
me atrasas
se te apresentas,
configuras a nascente
atemporal dos meus anos

sei que amas,
porque amas
e por quem amas
essa memória
e sabendo-te, 
vou-me deixando

sobre a dor, douta
sobre o amor, pouca
palavra muda, oca
céu aprendiz de lágrima.

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