14 de junho de 2014

Homens de meu tempo por Márcio Ares


Todos os povos de meu tempo parecem sofrer de uma angústia inominável.
Não se sabe a razão, porventura equivocada, de viver em dor a vida que simplesmente passa
sob o tempo de alegrias possíveis e paixões intermináveis.

Nem a invenção dos mais sábios homens
nem o mais pleno entendimento do acaso
explicam esse tempo de amizades turvas, vontades avessas, alma escura, amor inseguro e desejos fugazes.
Talvez por incerteza, ou o mais bruto sentimento de ancestralidade, os homens de meu tempo querem, com violência estúpida e pressa demais, esquecer o instante presente
onde viver pareça fútil, mas de igual modo urgente, útil, essencial.

Mal sabem eles, meus contemporâneos, que a ilusão é o tormento de uns tantos feito a mesma tristeza que a noite alimenta
querendo um sol que espante o que não tem nome
essa grande angústia que dura por todos os tempos
e que a muitos atinge de um jeito quase covarde.

A força que os sustenta, estes homens de agora,
é própria do Deus que trazem dentro
e porque acreditam é certo que ainda possam
retomar as rédeas do contentamento, romper as grades do entristecimento e conceber a vida como quem recebe a visita
de um anjo que anuncia a nós próprios
a graça de não ser vazio, embora um pouco sós,
porque em nós existe, insiste e é triste
a vida que muitas vezes morre.

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