30 de abril de 2014

"Um gato de rua chamado Bob" por James Bowen - resenha escrita por Muller Nascimento

Não, esse não é mais um daqueles livros de animais cujo final faz você chorar horrores. Longe disso. Um gato de rua chamado Bob  é sobre superação, amizade e sucesso que, além de emocionante, é muito, mas muito inspirador.
Costumamos reclamar muito de nossas vidas, é verdade. Mas, como diz o outro, sempre tem alguém, do outro lado do mundo – ou a dois metros – que está pior. James estava pior.
James Bowen era um músico fracassado viciado em drogas e “sobrevivia” de forma precária em um apartamento subvencionado em Tottenham, Londres. Suas contas eram pagas com o dinheiro arrecadado em sessões musicais em praças e vias públicas de Londres (seu repertório era composto por músicas do Bob Dylan, Johnny Cash, Nine Inch Nails, Nirvana e Oasis). Mas nem sempre foi assim. As coisas já foram piores.
Era uma grande válvula de escape para mim. Deus sabe onde eu teria parado sem ela (música).
James viveu uma infância sem raízes na Austrália e Reino Unido (o autor compara sua vida como a dos ciganos). Seus pais eram muito ausentes. Nunca se adaptou à escola e não tinha amigos. Conheceu muitos psicólogos e, devido seu problema em se socializar, sofreu bullying nos colégios – o que também lhe acarretou uma concussão após ser bombardeado por pedras no caminho da escola para casa. Virou um garoto rebelde que desafiava a mãe e qualquer autoridade, e logo abandonou a escola. Usou todo tipo de droga leve e, com 18 anos, saiu de casa. Já em Londres, morou com o pai e também com a irmã e, após ser expulso por ambos, virou um “nômade” carregando seu saco de dormir para casa de amigos, buracos e ruas da cidade. As coisas pioraram rapidamente a partir disso. A fase seguinte da vida de James foi uma névoa de drogas (já estava viciado em heroína), pequenos crimes e, claro, falta de esperança e fé. Logo ele estava morando com outros drogados em albergues. Em 2007, já com mais de 30 anos, decidiu se recuperar totalmente. Foi aí que, com a ajuda de uma assistente social de habitação, se mudou para o apartamento em Tottenham e conheceu Bob.
Era um imenso prazer ter tão boa companhia, tão grande companheiro. Mas, de alguma forma, senti como se houvesse recebido uma oportunidade para voltar aos trilhos.
O que me intrigou durante a leitura, e com certeza também te deixará com pulga atrás da orelha, foi a maneira como eles se conheceram. Não sabemos o passado de Bob, mas sabemos que ambos precisavam de uma segunda chance, uma razão, um empurrão para se reerguerem. A forma como eles se encontraram não deixa dúvidas sobre isso. Os dois se parecem tanto. Existe uma cumplicidade, uma reciprocidade que eu duvido que exista em qualquer relacionamento, seja romântico ou não. Eles realmente nasceram para ficar juntos. Precisavam um do outro.
Eu também me perguntava, às vezes, se Bob e eu havíamos nos conhecido em uma vida anterior. A maneira como nos ligamos um ao outro, a conexão instantânea que fizemos, isso era muito incomum.

O que aconteceu com James é surreal, gente. Não acredito em carma nem em destino, mas é impressionante o que um gato – não qualquer gato, mas Bob – pôde fazer com a vida de um pobre coitado. Como citado acima, no começo de sua recuperação, James começou a tocar em vias púbicas. Levar Bob consigo (Bob era o bebê dele. Não se pode deixar um bebê sozinho em casa) o fez virar uma nova pessoa. Lógico que ao decorrer da leitura você notará que, mesmo com um gatinho tão fofinho e charmoso, James passou alguns maus bocados, mas Bob o ajudava a se reerguer novamente. Era como se ele dissesse: “James, você é um homem ou um saco de batata? Não se deixe abater, cara. Estou junto com você. Vamos passar por mais essa.” Com certeza, Bob é um gato especial. Ele mudou a vida James, que estava lá no fundo do poço. Que poder um animalzinho tem, não é mesmo?
Ver-me com meu gato suavizou-me aos olhos das pessoas. Ele me humanizou. Especialmente depois de eu ter sido tão desumanizado. De certa forma, ele estava devolvendo minha identidade. Eu tinha sido uma não pessoa; e estava me tornando uma pessoa novamente.

 

O que diferencia Um gato chamado Bob dos outros livros sobre/com animais, é que o autor narra sua historia de cara limpa, mas sem apelação, de forma que ela não se caracteriza como dramaautoajudachoradeira (spoiler do bem: ninguém morre. Pode ler sem medo) e sim, uma ficçãodavidarealmotivacional, sabe? Um livro para se ler numa viagem, nas férias, antes de dormir, no transporte público… Um livro leve, que te prende até o final, que te faz sorrir, chorar, entreter e, além de tudo isso, meditar.


Fonte: http://www.iba.com.br

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“Todo mundo precisa de um tempo, todo mundo merece uma segunda chance. Bob e eu agarramos a nossa… – James Bowen

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