20 de dezembro de 2013

Mulher de minutos por Mônica Montone


Não sou mulher de minutos 
Daquelas que os segundos varrem para debaixo do tapete sujo
Não pinto os cabelos de fogo 
Nem faço tatuagem no umbigo 
Me recuso a usar corpetes e cinta-liga 

Há sementes em meu ventre 
São poemas que ainda não reguei 
Prefiro guardá-los em silêncio 
Até que o tempo amadureça meus minutos 
E a vida me contemple com seus frutos 

Não borro meus cílios com a solidão da noite 
Nem pinto meu rosto com a palidez das manhãs 
Meu corpo é feito de marés 
Onde navegam mil anseios 
Veleiros sem direção 
Estou sempre na contramão

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