12 de novembro de 2013

Tu ... Mia Couto

 ... me bebes
e eu me converto
na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda
mais despida.

Pudesse eu ser tu
e em tua saudade ser
a minha própria espera
Mas eu deito-me
no teu leito quando apenas
queria dormir em ti,
E sonho-te quando
ansiava ser
um sonho teu.
E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor:
simples perfume, lembrança
de pétala sem chão
onde tombar.

Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há
depois do mar.

2 comentários:

David Lança disse...

Fantástica imagem. Adorei!
E o poema é daquele que se está tornando um dos escritores principais de sua geração.
Muito bom.
Continue assim, Elaine Faria.

Elaine Faria disse...

Grata David Lança por apreciar meu blog e o que aqui publico. Tenho uma imensa admiração pelo jornalista, escritor e poeta, bem como, pelo extraordinário ser humano que é Mia Couto. Abraço! : )