14 de maio de 2013

O que é o tempo por Rosângela Leandro


Passo os dedos por entre os cabelos e cada movimento é antecedido por um sentimento de espera. Não que isso seja proposital, mas a essência do gesto carrega em si uma tranquilidade aparente, um certo conforto. O telefone toca e o gesto é descontinuado, dando-me a sensação de que por instantes, o tempo havia parado. Aí percebo que o tempo não é um receptáculo de instantes, não é a distância entre um presente, um passado, um futuro. É o movimento interno dos entes para reunirem-se consigo mesmos e para diferenciarem-se de si mesmos. Não estou no tempo mas sou temporal, porque o tempo é a produção do sentido e dos seus significados. O corpo tem lembranças: cheiros, toques, mudanças. O corpo tem como base a temporalidade. Quando vivencio o meu presente, ele se apresenta em uma situação na qual sinto, faço, penso. Quanto ao meu passado, percebo que as possibilidades existiam. Algumas se concretizaram, outras não. No presente sou capaz de perceber novas possibilidades. Aqui, há uma abertura. O meu futuro poderá ser se as possibilidades presentes se concretizarem. Quem pode controlar as diferentes formas de sentir? O que é o tempo senão o significado do que é vivenciado? Nossos tempos são diferentes porque somos singulares. Portanto, o bom senso é necessário quando se trata de dispor do tempo do outro. Alguns são velozes, outros muito lentos. Cada um no seu compasso.

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