29 de janeiro de 2013

Modo de Amar por Valter Hugo Mãe, in 'contabilidade'


prometo ser-te fiel se mo fores 
também, não é certo que mo venhas a 
ser. por isso, já to perdoo 

prefiro partir assim para o resto da 
vida. assim, com os olhos abertos à 
frustração e talvez à vulnerabilidade 

não prevejo nada em concreto, acredita, 
não tenho olhos para outras moças, 
só o digo assim por ser verdade 
que tarde ou cedo havemos de encontrar 
nos outros motivos de inusitado 
interesse, e depois, pergunto, 

vale mais que acordemos um amor 
sobreposto ao futuro, um amor agora 
que tenha conhecimento do futuro 

e não esperar mais nada senão 
a verdade. a decadente verdade que 
chega já depois dos primeiros beijos 

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Valter Hugo Mãe é um escritor português que nasceu numa cidade angolana outrora chamada Henrique de Carvalho, atual Saurimo.
Passou a infância em Paços de Ferreira e em 1980 mudou-se para Vila do Conde. Licenciou-se em Direito e fez uma pós-graduação em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Em 1999 foi co-fundador da Quasi edições na qual publicou obras de Mário Soares, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Manoel de Barros, António Ramos Rosa, Artur do Cruzeiro Seixas, Ferreira Gullar, Adolfo Luxúria Canibal e muitos outros.
Co-dirigiu a revista Apeadeiro, de 2001 a 2004 e em 2006 funda a editora Objecto Cardíaco.
Em 2007 atingiu o reconhecimento público com a atribuição do Prémio Literário José Saramago, durante a entrega do qual o próprio José Saramago considerou o romance o remorso de baltazar serapião um verdadeiro tsunami literário: "Por vezes, tive a sensação de assistir a um novo parto da Língua portuguesa".
Para além da escrita tem-se dedicado ao desenho, com uma primeira exposição individual inaugurada em Maio de 2007, na Galeria Símbolo, no Porto, e à música, tendo-se estreado como voz do grupo Governo em Janeiro de 2008, no Teatro do Campo Alegre, também no Porto.
Desde o fim de 2012 apresenta um programa de entrevistas no Porto Canal.
Os quatro primeiros romances de Valter Hugo Mãe são conhecidos como a tetralogia das minúsculas. Escritos integralmente sem letras capitais, incluindo o nome do autor, pretendiam chamar a atenção para a natureza oral dos textos e recondução da literatura à liberdade primeira do pensamento. As minúsculas aludem também a uma utopia de igualdade. Uma certa democracia que equiparava as palavras na sua grafia para deixar ao leitor definir o que devia ou não ser acentuado.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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