5 de março de 2012

Aleksandr Isaevich Solzhenitsyn


Quando eu estava no Gulag, às vezes escrevia em muros de pedra. Costumava escrever em pedaços de papel, depois memorizava o conteúdo e destruía os papéis.
É claro que minhas opiniões evoluíram com o passar do tempo. Mas sempre acreditei no que eu fazia e nunca agi contra a minha consciência.

Não, não tenho mais medo da morte. Quando eu era jovem, a morte precoce de meu pai me cobriu com uma sombra - ele morreu aos 27 anos - e eu tinha medo de morrer antes de realizar meus planos literários. Mas entre os 30 e os 40 anos minha atitude em relação à morte tornou-se bastante calma e equilibrada. Acho que é um marco natural, mas de modo algum o final, de uma existência.

"Para mim a fé é a base e a sustentação da vida"

Vida com Deus

Como é fácil viver contigo, Senhor!
Como é fácil crer em ti!
Quando meu intelecto confuso

Se afasta ou falha,
Quando os homens mais inteligentes
Não vêem para além desta noite
E não sabem o que fazer amanhã,
Tu me concedes a clara certeza
De que existe e de que te preocupas
Com que não sejam obstruídos
Todos os caminhos que levam ao bem.
No auge da glória terrena,
Volto-me para trás, admirado,
A fim de ver a estrada percorrida
Desde o desespero até este ponto
Onde me foi dado comunicar
À humanidade um reflexo dos teus raios.
Dá-me tudo o que me é necessário
Para continuar a refleti-los.
E para fazer o que eu não consigo,
Sei que destinaste outros a realiza-lo.




Alexander Soljenitsin - Escritor russo, de nome verdadeiro Aleksandr Isaevich Solzhenitsyn,  (nasceu em Kislovodsk, no Cáucaso, a 11 de Novembro de 1918 e faleceu em Moscovo, a 3 de agosto de 2008). O pai morreu na guerra, antes do seu nascimento. Aos seis anos, muda-se com a mãe para Rostov, onde vem a fazer estudos de Matemática. Participa na Segunda Guerra Mundial, sendo várias vezes condecorado. Uma carta dirigida a um amigo, em que expressa as suas opiniões sobre Estaline, leva-o à prisão e é condenado a trabalhos forçados. Em 1962 publica "Um Dia na Vida de Ivan Denissovitch", um depoimento sobre o sistema prisional. "O Primeiro Círculo" e "O Pavilhão dos Cancerosos" , editados em 1968 no estrangeiro, trouxeram-lhe o reconhecimento internacional. Agosto 14 corresponde ao início de uma vasta obra de natureza histórica. Em 1970 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura, mas receando que lhe interditassem o retorno ao país, não foi recebê-lo em Estocolmo. Pouco depois da publicação de "O Arquipélago de Gulag" em Paris, em 1974, é preso, julgado por traição e, finalmente, condenado ao exílio. Instala-se nos Estados Unidos, prosseguindo a sua obra literária e procurando reunir os dissidentes na sua luta contra o sistema vigente na URSS. Em Setembro de 1991 foi por fim ilibado da acusação de traição pelo governo soviético e em Julho de 1994 volta à Rússia. Escritor de inspiração católica, a libertação interior do homem é o tema central da sua obra e a razão da sua luta.

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