13 de fevereiro de 2012

"Pêssego" por Manoel de Barros in "Poemas Rupestres"

Proust
Só de ouvir a voz de Albertine
entrava em orgasmo.
Se diz que:
O olhar de voyeur
tem condições de phalo
(possui o que vê).
Mas é pelo tato
Que a fonte do amor se abre.
Apalpar desabrocha o talo.
O tato é mais que o ver
É mais que o ouvir
É mais que o cheirar.
É pelo beijo que o amor
se edifica.
É no calor da boca
Que o alarme da carne grita.
E se abre docemente
Como um pêssego de Deus.

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