28 de fevereiro de 2012

Crescer no perder... por Mariam


Hoje não quero sentir, ver nem ouvir os mundos
Fecho-me no casulo austero da indiferença crua
Mas deixo um postigo aberto a um nicho lá no fundo
Onde calmamente se poderá aninhar o amor e o apego
Por algum tempo serei uma ilha isolada de sonhos
E farei o funeral de algumas mágoas do meu ego
As outras, as que não são do amor nem do apego
Sei que terei de acordar quando as águas baixarem
Farei o luto pelas gotas da minha ingenuidade nua
Sei que serei sempre aquela árvore dos sorrisos simples
A que se dobra sob o vento e teimosamente se endireita
Raiz razão e ramos paixão ousando querer tocarem a lua
Não passarei uma esponja nas injustas causas dos outros
Mas sairei do casulo e entenderei que no perder, cresci.
Não gosto de crescer assim

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