29 de fevereiro de 2012

Abismo por Fernando Pessoa in "Cancioneiro"

Olho o Tejo, e de tal arte
Que me esquece olhar olhando,
E súbito isto me bate
De encontro ao devaneando —
O que é sério, e correr?
O que é está-lo eu a ver?
Sinto de repente pouco,
Vácuo, o momento, o lugar.
Tudo de repente é oco —
Mesmo o meu estar a pensar.
Tudo — eu e o mundo em redor —
Fica mais que exterior.
Perde tudo o ser, ficar,
E do pensar se me some.
Fico sem poder ligar
Ser, idéia, alma de nome
A mim, à terra e aos céus...
E súbito encontro Deus.


Esta postagem fiz em homenagem ao meu querido amigo moçambicano Augusto Medeiros, que presenteou-me com o livro "Cancioneiro" de Fernando Pessoa e tem verdadeira paixão pela voz de sua conterrânea moçambicana, a cantora e interprete Mariza.

2 comentários:

Augusto Medeiros disse...

Amiga Elaine obrigado pela homenagem.
Obrigado também por teres gostado do presente.
Mantenho o contacto silencioso por aqui.

Obra cega (Apapalá)

Nada sei
eo que presumo
emudeceu
de perfeição
.
Obscura pauta
entre as mandíbulas
oro

sentindo a estepe
na planta
dos pés

Abraço Augusto

Elaine disse...

Olá amigo Augusto!

Não tem o que agradecer... fiz essa homenagem a ti porque tenho grande apreço pela nossa amizade.
Então ficamos assim: "Continuas mantendo contato silenciosamente por aqui".
Lindo esse poema "Obra Cega" de Apapalá!!

Obrigada pela visita, comentário e mais esse presente.

Grande abraço!!! : )