1 de janeiro de 2012

Eros e Psiquê por Monica Buonfiglio texto do livro "Almas Gêmeas"


Os personagens da mitologia greco-romana vêm encantando a humanidade há séculos, aparecendo nos dias de hoje, com muita assiduidade, nas campanhas publicitárias que ditam a moda e cativam o público, porque ativam a energia das pessoas.
Um dos mitos de mais destaque neste final de milênio é Eros, o deus do amor, conhecido em Roma como Cupido. Na Alexandria era representado pela figura de um menino alado, com uma flecha que incendiava os corações. Atualmente está sempre presente, representado nas cenas de amor, do primeiro encontro ao grande final.
A história de Eros está ligada à de Psiquê, como nos conta Apuleio, em sua obra Metamorfoses.
Psiquê (a Alma) era uma das três filhas de um rei, todas belíssimas e capazes de despertar tanta admiração que muitos vinham de longe só para vê-las. Alvos de tanta atenção, logo as duas irmãs de Psiquê se casaram. Ela, no entanto, sendo ainda mais bela que as irmãs, além de extremamente graciosa, não conseguia um marido para si, pois todos temiam tamanha beleza. 
Desorientados, os pais de Psiquê buscaram ajuda através de um oráculo, que os instruiu a vestir Psiquê com as roupas destinadas a seu casamento, e deixá-la no alto de um rochedo, onde um monstro horrível viria buscá-la.
Mesmo sentindo-se pesarosos pelo destino da filha, os pais de Psiquê seguiram as instruções recebidas, conduzindo-a para o alto de uma montanha, onde a deixaram. Logo após começou a soprar um vento muito forte, e Psiquê foi carregada pelos ares, sendo depositada, depois de algum tempo, no fundo de um vale. Exausta, Psiquê adormeceu profundamente. Quando acordou viu-se em frente de um palácio de ouro e mármore. Entrou, e ficou maravilhada com tudo que viu. As portas abriram-se para ela e vozes sussurravam-lhe tudo que queria e precisava saber, apresentando-se como escravas que ali estavam para servi-la. Ao anoitecer Psiquê sentiu junto de si uma presença, que só podia ser, e era, o esposo de que falara o oráculo. Este lhe explicou quem era, mas advertiu-a de que jamais poderia vê-lo, pois isso significaria perdê-lo para sempre. Assim passou a decorrer a vida de Psiquê. Ficava só durante o dia, ouvindo aquelas vozes que a serviam; à noite tinha a companhia do esposo, que se revelara extremamente terno e carinhoso.

Era feliz, muito feliz.


Depois de algum tempo, no entanto, apesar de toda sua felicidade, Psiquê começou a sentir saudade de seus pais e de sua família. Pediu permissão a seu esposo para visitá-los, persistindo em seu intento apesar das advertências de Eros de que essa viajem poderia ter péssimas conseqüências. Vencido pelas súplicas de Psiquê, Eros concordou com a visita à família, e o mesmo vento que a trouxera transportou-a de volta para a casa de seus pais.

Levou consigo riquíssimos presentes, e foi recebida com enorme alegria por todos. Suas irmãs também vieram vê-la, e constataram com enorme inveja o quanto ela era feliz. Psiquê havia contado a elas que ainda não havia tido a oportunidade de ver seu esposo e sobre as advertências que ele lhe fizera caso tentasse vê-lo. Ciumentas, as duas irmãs convenceram Psiquê de que ela deveria vê-lo para completar sua felicidade. Seguindo a idéia que lhe haviam sugerido, Psiquê, à noite, após voltar para seu palácio, tendo seu esposo adormecido ao lado, acendeu uma luz para vê-lo, e ficou maravilhada com o adolescente que ali estava , tão belo quanto ela. Enternecida e comovida com a agradável surpresa, Psiquê esquece-se que tinha uma lanterna na mão, e uma gota de azeite quente pingou na mão de Eros, o Amor. Pois esse era o monstro de que falara o oráculo. Eros acordou com o calor do azeite e, cumprindo as ameaças que fizera, fugiu para não mais voltar.
Eros era o Deus do Amor, nascido ao mesmo tempo que a Terra, gerado a partir do caos primitivo, sendo uma das forças fundamentais do mundo. Outras versões trazem Eros como filho de Hermes e Afrodite, sendo essa a descrição que encontramos em Platão - "O Banquete". 
Afrodite, mãe de Eros, é apresentada ora como Afrodite Urânia, deusa dos amores etéreos, ora como Afrodite Pandêmica, deusa do desejo brutal. Eros, por sua vez, é representado como uma criança ou como um adolescente nu, com olhos vendados, sempre acompanhado de suas flechas, utilizadas para atingir os corações dos seres humanos, inflamando-os e zombando das conseqüências de seus ataques. Eros assegura não apenas a continuidade das espécies, mas também a coesão interna do Cosmos, representando o centro unificador.
Abandonada por Eros, o Amor, sentindo-se só e infeliz, Psiquê, a Alma, passou a vagar pelo mundo, perseguida por Afrodite, que invejava sua beleza. Ninguém se atrevia a acolhê-la, e Afrodite acabou por aprisioná-la, encarregando-a de tarefas penosas e perigosas.
Numa dessa missões, Psiquê teve de descer aos infernos e roubar de Perséfone um frasco cheio de água retirada da fonte da juventude eterna. As instruções de Afrodite eram claras: Psiquê deveria trazer o frasco intacto, sem abri-lo. Mas Psiquê desobedeceu e abriu o frasco, imediatamente caiu num sono profundo.
Enquanto isso acontecia Eros, o Amor, estava desesperado, pois não conseguia esquecer Psiquê. Depois de algum tempo de busca encontrou-a naquele estado, e para acordá-la teve de usar a ponta de uma de suas flechas.
Em seguida Eros regressou ao Olimpo e solicitou a permissão de Zeus para casar-se com a mortal Psiquê. Zeus aprovou o casamento, e ordenou a Afrodite que se reconciliasse com Psiquê.


Depois de unidos pelo amor divinizado, Eros e Psiquê, ou seja, o Amor e a Alma, não mais tiveram presença física, embora permaneçam juntos durante toda a eternidade. 

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