4 de junho de 2011

Pareço ter perdido uma coisa não se sabe onde e quando... trecho de "A Travessia do Oposto" por Clarisse Lispector


"(...)De súbito a estranheza. Estranho-me como se uma câmera de cinema estivesse filmando meus passos e parasse de súbito, deixando-me imóvel no meio de um gesto: presa em fragrante. Parte de mim é mecânica e automática - é neurovegetativa. A câmera fotográfica singularizou o instante. E eis que automaticamente sai de mim, que é insólito e estarrecedor por ser verdadeiro, profundamente vida nua amalgamada na minha identidade. Eu sou nostálgica demais, pareço ter perdido uma coisa não se sabe onde e quando (...)" (pg.68)

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