26 de fevereiro de 2011

Cantares do Sem Nome e de Partida... por Hilda Hilst


o nunca mais não é verdade.
há ilusões e assomos, há repentes.
de perpetuar a duração.
o nunca mais é só meia-verdade:
como se visses a ave entre a folhagem
e ao mesmo tempo não.
(e antevisses
contentamento e morte na paisagem.)

o nunca mais é planície e fendas.
é de abismos e arroios
é de perpetuidade no que pensas efêmero.
e breve e pequenino
no que pensas eterno.

nem é o corvo ou poema o nunca mais.


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