17 de janeiro de 2011

O corpo exige... por Affonso Romano de Sant'Anna


Presto distraída atenção
ao meu corpo.
O que me pede, eu faço.
Às vezes, não entendo
logo suas ordens, mas
cedo sempre.

Me achego a ele e indago:

-O que queres? Ah, é isso?
Então, concedo.
Sempre que eu resisti
um de nós saiu-se mal.

Nas 24 horas do dia,
ele pede,
e quando cala, fala
num discurso de sonhos
que me abala.

Ele sabe. Eu sei que ele
sabe,
e sabe antes de mim,
e nele
eu sei dobrado, sou
um-e-dois
como os dois cortes de
um sabre.

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