19 de setembro de 2010

“Deux jours à tuer/ Dois dias para esquecer” - filme de Jean Becker


O que pode levar um homem, criativo publicitário de sucesso, casado, com dois filhos maravilhosos e uma vida desafogada, ao celebrar 42 anos colocar em questão tudo o que construiu, tudo o que possui? Renunciando à formalidade que nos obriga a cumprir regras de boa educação e calar, quase imperceptivelmente, muito do que, tantas vezes nos apetece dizer, começa a assumir a sinceridade, a frontalidade, a verdade, obviamente magoando, opondo-se, criando uma onda de antipatia à sua volta. O que pode levar um homem a desfazer a sua sociedade empresarial? A discutir com a mulher? A pôr em causa a perfeição dos desenhos que os seus filhos lhe oferecem como presente de aniversário? A desafiar todas as regras que sempre cumpriu? A confrontar, um a um, todos os amigos que se reúnem para uma festa surpresa? A despedir-se da filha antes de partir, anunciando-lhe que irá para longe e não voltará? A ferir-se com o reconhecimento na manhã seguinte, antes da partida definitiva, que a vida continua sem ele, que os seus filhos mantêm viva a alegria de brincar, mesmo na sua ausência? A partir para destino longínquo arriscando na condução, na ofensa àquelas pessoas com que se cruza? A apoiar um homem a quem dá carona? A ir ter com o pai que o abandonara e à mãe, quando tinha treze anos? A confrontá-lo com a sua ausência enquanto avô? De onde vem toda esta sede de viver como se tivesse de ser transparente… como a água mais límpida do rio onde vai pescar com o pai?

Fonte: Blog Paços d'Agua


Le temps qui reste (récit)
Serge Reggiani

Combien de temps...
Combien de temps encore
Des années, des jours, des heures, combien ?
Quand j'y pense, mon coeur bat si fort...
Mon pays c'est la vie.
Combien de temps...
Combien ?

Je l'aime tant, le temps qui reste...
Je veux rire, courir, pleurer, parler,
Et voir, et croire
Et boire, danser,
Crier, manger, nager, bondir, désobéir
J'ai pas fini, j'ai pas fini
Voler, chanter, parti, repartir
Souffrir, aimer
Je l'aime tant le temps qui reste

Je ne sais plus où je suis né, ni quand
Je sais qu'il n'y a pas longtemps...
Et que mon pays c'est la vie
Je sais aussi que mon père disait :
Le temps c'est comme ton pain...
Gardes-en pour demain...

J'ai encore du pain
Encore du temps, mais combien ?
Je veux jouer encore...
Je veux rire des montagnes de rires,
Je veux pleurer des torrents de larmes,
Je veux boire des bateaux entiers de vin
De Bordeaux et d'Italie
Et danser, crier, voler, nager dans tous les océans
J'ai pas fini, j'ai pas fini
Je veux chanter
Je veux parler jusqu'à la fin de ma voix...
Je l'aime tant le temps qui reste...

Combien de temps...
Combien de temps encore ?
Des années, des jours, des heures, combien ?
Je veux des histoires, des voyages...
J'ai tant de gens à voir, tant d'images..
Des enfants, des femmes, des grands hommes,
Des petits hommes, des marrants, des tristes,
Des très intelligents et des cons,
C'est drôle, les cons ça repose,
C'est comme le feuillage au milieu des roses...

Combien de temps...
Combien de temps encore ?
Des années, des jours, des heures, combien ?
Je m'en fous mon amour...
Quand l'orchestre s'arrêtera, je danserai encore...
Quand les avions ne voleront plus, je volerai tout seul...
Quand le temps s'arrêtera..
Je t'aimerai encore
Je ne sais pas où, je ne sais pas comment...
Mais je t'aimerai encore...
D'accord ?
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
O tempo que resta

Quanto tempo?
Quanto tempo ainda?
Anos, dias, horas?
Quanto?
Quando penso nisso, como me bate o coração.
Meu país é a vida.
Quanto tempo ainda?
Quanto?
Eu amo tanto o tempo que me resta.
Quero rir, correr, chorar, falar,
e ver e crer, e beber, dançar,
gritar, comer, nadar, saltar, desobedecer.
Eu não acabei, eu não acabei.
Voar, cantar, partir, voltar a partir.
Sofrer, amar, eu amo tanto o tempo que me resta.
Já não sei mais onde nasci, nem quando.
Sei que não foi há muito tempo… e que meu país é a vida.
Eu também sei que meu pai dizia…
“O tempo é como o seu pão,
Guarde um pouco para amanhã”.
Ainda tenho o pão,
Ainda tenho tempo, mas, quanto?
Quero brincar ainda, quero rir às gargalhadas.
Quero chorar rios de lágrimas.
Quero beber barcos inteiros de vinho, de Bordeaux e da Itália
Quero dançar, gritar, voar, nadar em todos os oceanos.
Eu não acabei, eu não acabei.
Quero cantar.
Quero falar até ficar sem voz.
Eu amo tanto o tempo que me resta.
Quanto tempo?
Quanto tempo ainda?
Anos, dias, horas, quanto?
Quero as histórias, as viagens.
Tenho tanta gente a ver, tantas imagens, de crianças, de mulheres,
de grandes homens, de pequenos homens, engraçados, tristes, muito inteligentes, bobos.
Que engraçado, os bobos me rodeiam,
Como as folhas entre as rosas.
Quanto tempo?
Quanto tempo ainda?
Anos, dias, horas, quanto?
Não me importo, meu amor.
Quando a orquestra parar, continuarei dançando,
Quando os aviões não mais voarem, eu voarei sozinho.
Quando o tempo parar, eu a amarei ainda.
Eu não sei onde, eu não sei como,
mas eu ainda a amarei.
Está bem?


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