11 de maio de 2010

Lya Luft... in Secreta Mirada



Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes.
Quem quiser vir agora terá de ter paciência: estamos mais ariscos, a pele é fina demais, qualquer sopro pode abrir feridas no coração.

Fingimos dormir, muitas vezes; outras rimos para que o sentimento não retorne: aquele que nos deixou em êxtase e nos jogou no poço de onde foi duro voltar.

É verdade que guardamos na gaveta cristais transparentes e coloridos, que nos iluminam a cara sempre que espiamos: são as memórias, são os belos momentos, são as palavras que eram verdadeiras quando pronunciadas.

Mesmo assim, não custa dar um aviso, para que ninguém, chegando perto, se machuque por nossa causa: um dia voltamos, um dia conseguimos, um dia alguém nos desperta desse sono falso e dessa fingida distância que nosso olhar, mais vezes do que desejamos, acaba negando.

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