2 de maio de 2010

El Mismo Amor, la Misma Lluvia ... de Juan José Campanella



Os encontros e desencontros de uma paixão conduzem esta produção argentina de 1999, dirigida por Juan José Campanella; a película mostra as indas e vindas de Jorge Pellegrine - um escritor de talento, porém absorto em receios que não o fazem mergulhar com convicção no mercado literário - e de Laura, uma jovem entusiasmada e sensível. O primeiro encontro deles ocorre em 1980 durante uma tempestade. Jorge observa Laura ser acariciada por gotas de chuva. Imagem que nasceu éterea e despertou à paixão. Logo depois, o escritor assiste a um curta-metragem, baseado em um de seus contos, no qual Laura é a atriz principal. Eles conversam, se aproximam e iniciam um romance que dura um ano e meio. A relação se desgata e um caso de infidelidade causa o rompimento. A partir daí, acompanhamos Jorge em seus outros relacionamentos, em sua vida profissional frustrante e nas tentativas de sossegar seus fantasmas - um em especial, o jornalista Mastornardi, que ele neglegenciou no ínicio dos anos 80. O tempo segue: :vem a guerra das Malvinas (o confronto da Argentina com a armada britânica), a redemocratização do país, a chegada dos anos 90; Jorge é um crítico de arte desiludido e Laura uma bem-sucedida produtora cultural. O quê o destino reserva para essas pessoas que triunfaram, perderam, viveram e deixaram escapar o prazer e a loucura dos momentos?
A obra de Campanella, estrelada por Ricardo Darín (um dos melhores atores da atualidade) e a bela Soledad Villamil revela as disparidades de pretensões e personalidades que conflituam, mas que se conectam de forma especial. Vencer o medo, se arriscar, seguir um desejo, uma certeza, preservar a integridade, temas que compõem um invólucro que deixa transparecer o quanto a sinceridade e a paixão são fundamentais para abraçar o destino, as afinidades e afetividades que nascem.
Foi lançado no Brasil apenas em vídeo e depois do filme posterior do diretor, O Filho da Noiva, 2001. É o primeiro filme da parceria do diretor com Ricardo Darín, que rendeu uma espécie de trilogia urbana, juntamente com o especialíssimo O Filho da Noiva e Clube da Lua (2004).
El Mismo Amor, la Misma Lluvia é uma história de amor sem fantasias, que mais parece uma história que vivemos ou vimos acontecer. Não há como não se emocionar. Sensibilidade ímpar sem deixar de criticar os fatos da história recente da Argentina. No tom exato, sem carregar nas tintas.
Comédia romântica, 116 min.

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