7 de março de 2010

A Falta do Sagrado Feminino e a Atualidade por Flávia Cristina Costa Pivatto


A nossa cultura encontra-se extremamente identificada com o pensamento positivista. A visão do mundo é catastrófica, pois reprime através da racionalização e da lógica causal, todos os fenômenos que não podem ser entendidos por este prisma.O perigo desta visão é uma identificação com o suprapessoal na figura dos valores coletivos. O inconsciente não é apenas um fenômeno pessoal, mas também coletivo e, portanto, que as pessoas são influenciadas por um conjunto de forças extremamente atuantes e imperceptíveis.
Desta forma, o homem moderno perdeu contato com sua vida instintiva. Heidegger, bem disse: esquecemos que esquecemos do Ser e da totalidade. De que a cultura humana é parte de um processo muitíssimo mais antigo do que nós mesmos. Os deuses arquetípicos devem ser invocados para habilitar a humanidade à "sentir diferentemente" sobre o mundo, e uma grande mudança na atitude cultural deve ser efetuada, incluindo uma dramática mudança de atitude, a respeito do relacionamento da humanidade com seus pares, com o ambiente e o mundo físico. A vida metafísica (ou espiritual), e o mundo foram esvaziados do verdadeiro significado religioso; o ser humano precisa refazer a experiência de re-ligação, de fusão, para recuperar suas raízes arquetípicas e experimentar sua identidade com a vida e com o Todo.
Quando o feminino está ausente, ou, reprimido, em seu lugar surgem as teorias que “explicam” a vida de forma muito sintética e mecânica, - a falta de contato com a dimensão instintiva e emocional pode conduzir a atos desumanos e destrutivos.
O grande poder do mito, é sua habilidade para mobilizar ações humanas e impulsionar respostas coletivas. Assim o desafio do feminino é fazer ouvir a sua voz interior, reivindicar seus talentos e dons, despertando o mundo.
Leonardo Boff diz que o feminino "expressa a dimensão de ternura, cuidado, auto-aceitação, misericórdia, sensibilidade face ao mistério da vida e de Deus, cultivo da interioridade que existe e deve existir em toda existência humana que alcança um nível mínimo de maturidade”.
Assim, o feminino deve despertar o mundo para transformá-lo, através de um caminho individual, e, por conseguinte uma mudança interpessoal e uma evolução sócio-cultural, em uma jornada onde não estamos sós, aonde os deuses já trilharam antes de nós, e como Campbell nos aponta...”O labirinto é conhecido em toda sua extensão. Temos que seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ao centro da nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar só, estaremos em companhia do mundo todo”.

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