25 de agosto de 2008

A Bolsa... por minha querida amiga Lilia Vales Domingues

Na vitrine, ou já identificada como um objeto particular de alguém comum, ou completamente, inusitada frágil ou forte, colorida ou sóbria, de todos os tamanhos... E para alguns curiosos e observadores, um traço sutil ou expressivo sobre quem a carrega consigo

Quando carregada...

presa ou esquecida; quase imóvel, ou alternada entre minhas mãos, meus ombros e meu colo fala da pressa ou do tempo que posso usar sem pressa e carrega comigo os meus desejos mais recentes e mais remotos

Quando a uso pela primeira vez, parece um presente tátil a me acompanhar com o passar do tempo, já faz parte de mim como às vestes que preciso para caminhar
As de que mais gosto mergulham comigo na magia dos dias especiais e podem ser emprestadas para pessoas, também, especiais
Nela, posso guardar o que só me pertence instituindo-lhe a condição de território particular para segredos sobre tudo o que sei de mim; sobre tudo o que penso de mim
Em dia de festa, quando me arrumo parece que é ela, o meu toque final pois na última olhada no espelho, como que, conversando com meus sapatos, me traz a certeza ou incerteza de "brilhar", antes mesmo de sair
Levanto ou abaixo a cabeça, me apoiando, muitas vezes, apenas nela
E no compasso e descompasso da música de dentro e de fora conjugo e danço com ela, a transversalidade dos mais fortes desejos: o de ser ou não ser o de estar ou não estar esse confuso duelo que permeia passado, presente e futuro do querer e do não querer ser feliz.

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