22 de maio de 2017

Falar de ti é falar de tudo o que passa ... Francisco Alvim, in Exemplar Proceder, 1974

 
Falar de ti
é falar de tudo o que passa
no alto dos ventos
na luz das acácias
é esquecer os caminhos
apagar o enredo
é pensar as formas do branco
como teu corpo numa praia
branda e azul
tua pele não retém as horas
escorres, liquida
sonora

&

Francisco Soares Alvim Neto (Araxá MG 1938). Poeta e diplomata. Filho do advogado Fausto Figueira Soares Alvim e de Mercedes Costa Cruz Alvim, começa a escrever poemas ainda na adolescência, por influência da irmã, também poeta, Maria Ângela Alvim (1926 - 1959). Na juventude, vive períodos no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, e, em 1953, acaba por se fixar no Rio. Ingressa na Faculdade de Direito da Universidade do Distrito Federal, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), mas interrompe o curso em 1963, quando entra para o Instituto Rio Branco, e se forma no ano seguinte. Inicia a carreira diplomática em 1965, e três anos depois estreia em livro, com Sol dos Cegos, em 1968. Entre 1969 e 1971 atua como secretário da representação do Brasil na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Paris, cidade onde escreve parte dos poemas de Passatempo, de 1974. De volta ao Brasil, integra-se ao grupo Frenesi, que constitui a primeira leva dos chamados "poetas marginais": Roberto Schwarz (1938), Cacaso (1944 - 1987), Chacal (1951) e Geraldo Carneiro (1952). Seus livros saem em edições artesanais até 1981, quando a editora Brasiliense lança a reunião deles em Passatempo e Outros Poemas. Pelo Itamaraty, atua como cônsul-geral do Brasil em Barcelona, Espanha, e em Roterdã, Holanda, e ainda como embaixador na Costa Rica. Sua obra O Elefante, publicada em 2000, é bem recebida pela crítica especializada.